quarta-feira, 13 de abril de 2011

Lo-fi relax

O som ideal para relaxar pode ser aquele que você está escutando no momento, mas há algum tempo quando conheci o som folk lo-fi do Songs of Green Pheasant, pude ter uma experiência de paz e tranquilidade com pensamentos em lugares distantes e calmos. Songs of Green Pheasant é o projeto solo de Duncan Sumpner, um músico e professor de Sheffield (UK), que enviou suas fitas para a gravadora inglesa Fat Cat Records. Duncan gravou as demos em sua casa com um gravador K7 de quatro canais durante o verão de 2002. As primeiras demos enviadas a gravadora passaram por uma compressão digital, para tentar remover os ruídos que um gravador K7 normalmente faz durante as gravações. As faixas desse disco soavam como se tivessem banhadas em neblina, uma qualidade que chamou atenção do selo. Em seguida, Duncan enviou as masters originais e perceberam novos detalhes, puderam compreender mais as letras e decidiram lançar o disco autointitulado Songs of Green Pheasant que saiu em 2005. Alguns críticos tentaram encaixar o som de Duncan em algo que navega entre Simon Garfunkel, Flying Saucer Attack e Richard Youngs. As melodias do projeto são doces e serenas, com toques de psicodelia e ruídos experimentais. São músicas que abordam o dia, a noite, cenários e relacionamentos com influência de literatura. A música “Knulp” tem referência direta ao título de um dos livros do escritor Hermann Hesse. Em 2006, saiu o EP Aerial Days e em 2007 o disco Gyllyng Street. O som do músico já ganhou admiração de Devendra Banhart, Múm e Vetiver. Abaixo o link do primeiro disco:
www.mediafire.com/?6os7psk3d4t32eq#2

Ouvindo: Nightfall

terça-feira, 29 de março de 2011

O samurai

"Eu tento fazer com que as pessoas cresçam, que entendam a importância de estarem ali, quietas, escutando a música[...] Vejo-me como um samurai, lutando sozinho contra a desatenção, a incapacidade de ouvir"

Keith Jarrett, pianista em entrevista ao jornal O Globo, edição 27 de março de 2011.

Keith Jarrett - The Köln Concert:

sábado, 18 de setembro de 2010

O Buscador

Se o folk brasileiro ainda está por emergir anuncio Momo um projeto que caminha entre o folk e a psicodelia barroca buscando uma sonoridade própria nesse mar de informações globalizada, aluno direto do Clube da Esquina, Marcelo Frota compositor a frente do Momo um mineiro radicado no Rio de Janeiro se destaca por composições calcadas no folk country com doses de psicodelia e pela simplicidade das letras que descrevem sentimentos do homem moderno seja na solidão, tristeza e alegria. Momo nasceu em 2006 e já possui dois cd´s A Estética do Rabisco (Dubas 2007) e Buscador (Indie 2008) e está prestes a lançar o terceiro disco. Tive o prazer de assistir o show de Momo no Teatro Odisséia e pude conferir um artista em pleno desenvolvimento rumando para uma identidade própria, o grupo utiliza um teclado casiotone e efeitos de guitarra para introduzir uma experiência psicodélica nas canções. Seu cd Buscador lançado em 2008 é um belo disco, com destaque para composições mais melancólicas como em Preciso ser pedra, Irmãos, Tristeza e Seu amor e também canções que passeiam por um alt country, fruto das influencias que o compositor tem de Willie Nelson como nas músicas Espinho Desaguou, Se você vem e a canção que dá nome ao disco "Buscador". No álbum também se encontra uma bela balada a la Roy Orbison chamada "Bonita". Marcelo Frota também carrega em sua música a bagagem de ter vivido no exterior: Angola na infancia, nos Estados Unidos na adolescência e em 2005 na Espanha. Em 2009, Momo viajou a Chicago a convite do festival World Music dando início a uma turne por 12 estados americanos, dando um passo importante em seu trabalho. Momo é um projeto muito interessante, vale a pena conhecer.

Ouvindo: Momo - Buscador

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Montarroyos Sessions

O trompetista Marcio Montarroyos deixou na história da música instrumental brasileira discos fabulosos e inspirados, seu legado para o trompete brasileiro permanecerá eternamente no percurso da boa música instrumental. Marcio começou se dedicando inicialmente ao piano e ao estudo da música clássica, mas acabou optando em seguida pelo trompete, partiu para música popular onde encontrou seu espaço e a sua paixão de vida, a partir de 1968 já fazia parte do conjunto A Turma da Pilantragem que tinham nomes como Zé Roberto Bertrami, Alexandre Malheiros, Vitor Manga, Fredera, Ion Muniz e as cantoras Regininha, Málu Balona e Dorinha Tapajós: com esse grupo ele gravou três LPs. Nos anos 70 foi estudar jazz na Berklee School of Music, em Boston, nos Estados Unidos. Participou da gravação da trilha sonora da novela "Carinhoso" da TV Globo e lançou seus primeiros discos que foram Sessão Nostalgia (1973) e o consagrado Stone Alliance(1977), álbuns de um grande flerte com o jazz, mas já com algumas acentuações da nossa chamada Música Instrumental Brasileira. Nos anos 80, Montarroyos lançou "Trompete internacional" (1981), "Magic moment" (1982), "Carioca" (1984), "Samba Solstice" (1987) e "Terra Mater" (1989), sendo esse último destacando-o não só como um grande instrumentista, mas também como compositor, registrando canções como "The fourteenth day" e "One more light". Lembrando que alguns álbuns de Marcio Montarroyos eram inicialmente gravados nos Estados Unidos e só depois relançados e distribuídos no Brasil. Aliás e é curioso notar que Montarroyos foi o primeiro músico brasileiro contratado pela Columbia Records (companhia americana pertencente a Sony BMG). Em 1995 lançou o disco homônimo "Marcio Montarroyos", onde registrou boas composições próprias como "Slave ritual", "Pantanal" e "Congo do Serro", entre outras. Marcio faleceu em 2007 e deixou 11 músicas inacabadas que foram recuperadas com um lançamento póstumo chamado "O Rio e o Mar", projeto que teve participação do saxofonista Leo Gandelman, que assumiu o bastão da produção do álbum, durante as visitas que fazia ao trompetista. Em depoimento ao Jornal do Brasil, Leo deu a seguinte declaração: “Eu estava sempre por lá e em nossas conversas falávamos muito de música. Montarroyos começou a me mostrar o que estava fazendo e, um dia, passou a me orientar sobre como ele queria que o álbum fosse terminado. Ele estava preocupado em fazer um disco novo, até por não lançar nada havia muito tempo. Soube de seu estado até antes dele, por intermédio de seu médico, que é meu amigo de infância. Por isso, fiquei determinado a passar o máximo de tempo que pudesse a seu lado.” Em outra passagem da matéria Leo recorda como foi seu primeiro encontro com Montarroyos: “Estudava na Berklee School of Music, nos Estados Unidos, e, como trabalho, transcrevi o solo dele em Ei bicho, vamos nessa, do Stone alliance. E, como fã, fiz questão de entregar a transcrição para ele. Aí resolvi pedir uma chance, disse que se ele precisasse de um saxofonista poderia me chamar. Claro que ele achou uma ousadia. Mas depois nos encontramos em várias gravações e ficamos amigos”.
Montarroyos deixou sua marca em trabalhos de grandes nomes da música mundial, como Stevie Wonder, Carlos Santana e Sarah Vaughan, Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti e Milton Nascimento. Nesse maravilhoso disco O Rio e o mar. Montorroyos não só trasmite fluidez, mas toca um som de um Rio saudoso e belo em suas paisagens. Marcio Montarroyos nos infla com boa música e emoção garantida, não é a toa que é um dos maiores expoentes da música instrumental brasileira. Abaixo O Rio e o Mar. Boa viagem!!!

Link:
http://rapidshare.com/files/349932575/_UQT2009_Marcio_Montarroyos_-_O_Rio_e_O_Mar.rar.html

Ouvindo: Marcio Montarroyos - Copa Blues

Saxofone Days parte IV: The indie age

Quem acompanha esse blog e leu alguns posts passados, sabe de minha admiração por alguns nomes do jazz contemporâneo, sobretudo aqueles músicos que vem se reinventando e realizando grandes discos nesse início de século XXI, os já citados Aaron Park, Tord Gustavsen, Dhafer Youseff são alguns exemplos de instrumentistas criativos que além de virtuosidade, mostram uma busca por uma áurea musical intensa, original e espiritual. Outro exemplo é o saxofonista alto francês Pierrick Pedron que lançou "Omry" em 2009, um flerte do jazz, com a música pop, rock progressivo e o indie rock, flerte esse que vem tomando de assalto a cena jazzística nos ultimos anos por instrumentistas que se aproximam do experimentalismo do rock independente para chegar em texturas e ambiencias interessantes, como Aaron park e Brad Mehldau que reinventou Paranoid Android e Exit Music do Radiohead improvisando numa roupagem jazzistica. Como solista Pierrick empolga e extrai do instrumento grande potencial, Omry que quer dizer "Uma vida" em árabe é na minha opinião um álbum que reflete um estado de procura do músico, um disco instrospectivo e intenso que prova que o saxofone alto, no qual eu também estudo é um instrumento cercado de possibilidade sonoras. Abaixo o link. Bon voyage!!!
Link:

Ouvindo: Pierrick Pedron - Val Andre

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Os novos trovadores

A nova safra de compositores e músicos estadunidenses, herdeiros direto da tradição folclórica e country vem trazendo bons e admiráveis talentos, o cancioneiro americano nunca esteve tão forte revelando promissores jovens com ótimos discos e boas idéias na década 00 deste novo século. Jovens nascidos na década de 80 que cresceram ouvindo Bob Dylan, Leadbelly, Crosby, Stills, Nash & Young, Beach Boys e referencias de suas regiões em questão, trouxeram um frescor e um direcionamento interessante para a música norte-americana fora dos holofotes da grande mídia. Aponto alguns grandes talentos surgidos na primeira década do século XXI, que prometem dar ainda muita boa música para o planeta. Para começar chamo a atenção do grupo Fleet Foxes, uma das minhas bandas preferidas dessa década e uma das mais talentosas do cenário indie folk rock. A banda de Seattle (Washington, EUA) é responsável por belas melodias, utilizando harmonias vocais bem estruturadas e complexas, criando climas distintos, com letras que exaltam a paisagem de um Estados Unidos rural, como por exemplo em Tiger Mountain Peasant Song, Ragged Wood, Meadowlarks e Blue Ridge Moutains, música que cita a cadeia de montanhas pertencentes ao complexo dos Apalaches que percorre diversos estados no leste dos Estados Unidos. Exaltado e elogiado por diversas alas da imprensa alternativa estadunidense, inclusive no criterioso site de música independente Pitchfork, o grupo ficou entre os melhores discos de 2008, ano de lançamento de seu primeiro disco pela gravadora Sub Pop de Seattle e também figurou nos 50 melhores discos da década 00 em algumas listas. Com suave melancolia na medida certa e melodias bem construídas que grudam na cabeça, uma definição justa para descrever o som do Fleet Foxes, seria a qual o jornalista Thiago Ney escreveu em matéria publicada no jornal Folha de São Paulo: “uma quase experiência religiosa”. O entusiasmo em torno do grupo, se dá principalmente pela beleza de suas canções e pelas harmonias vocais bem estruturadas, provocando sensações diversas no ouvinte, seja de nostalgia ou de contemplação as paisagens rurais, seja elas de qualquer lugar, são montanhas, lagos e florestas descritas nas canções desse sensacional grupo de Seattle. Ainda na matéria da Folha, o tecladista Casey Wescott dá a seguinte declaração: "Crescemos ouvindo Beach Boys e bandas que se preocupavam com a harmonia das canções, então há uma preocupação com isso nas nossas músicas. Pensamos nos arranjos vocais, na forma como as letras são cantadas. A melodia tem de ser forte...". Além de Casey Wescott nos teclados e vocais, o Fleet é formado por Robin Pecknold, vocalista e guitarrista; Skye Skjelset, guitarrista; Joshua Tillman, baterista e vocalista; e Christian Wargo, baixista e vocais. O som do grupo é definido pelos próprios integrantes como “baroque harmonic pop jams”, algo como um pop barroco harmonico. Robin Pecknold, o principal compositor do conjunto e vocalista a frente das canções já tentou explicar a origem das músicas da banda da seguinte maneira: "Nos sentimos bem-sucedidos se fazemos uma canção em que cada instrumento faz algo interessante e melódico. Nos inspiramos na tradição da música folk, pop, corais gospel, psicodelia barroca, música da Costa Oeste [dos EUA], música tradicional da Irlanda e do Japão, trilhas sonoras. E somos inspirados pela música de nossos amigos de Seattle". É percebido nas influências do grupo, além das já citadas bandas Beach Boys e CSN & Y, também Stelleye Span, Trees, My Morning Jacket, Dungen, The Zombies e até Os Mutantes e Gilberto Gil conforme citado nos agradecimentos no encarte do disco. O Fleet Foxes lançou um EP chamado Sun Giant, além de um álbum autointitulado Fleet Foxes, os dois em 2008. Outro jovem trovador é o cantor e compositor Pete Molinari nascido em Chatham, Kent (Inglaterra), traz consigo na bagagem a herança dos trovadores de country-blues, folk e rock n roll dos primórdios. Pete entoa aquelas baladas a la Elvis Presley e Roy Orbison tocadas ao violão diante de sua pretendente que são bastante identificáveis na proposta do artista, a influência de Leadbelly também está presente no som de Pete e em alguns momentos sua voz se asemelha bastante a de Bob Dylan, nas fases de Blonde on Blonde e Nashville Skyline. Gostaria de destacar também outros compositores da década 00 que admiro como Bon Iver, já citado nesse blog e o multi-instrumentista Matthew Howk, mentor por trás do Phosphorescent que já lançou um EP e cinco álbuns, incluindo o recente e ótimo “Here´s to talking it easy” (2010). O grupo se joga na fonte de um contry folk-rock experimental com uma interessante sonoridade lo-fi e criativa. Em 2009, Matthew lançou com seu Phosphorescent, um álbum em homenagem ao músico country Willie Nelson, intituado “To Willie”, onde revisita músicas do velho cantor country de maneira original e interessante. Os novos trovadores estão aí, enriquecendo o cancioneiro do rock mundial e adentrando em um novo século com belíssimas canções. Abaixo o link do sensacional disco do Fleet Foxes. Boa Viagem!!!
Link:

Ouvindo: Fleet Foxes - Ragged Wood

terça-feira, 22 de junho de 2010

Doyle Bramhall II

Conheci Doyle Bramhall II (pronuncia-se "the second"), um herdeiro direto da tradição blues-rock norte-americana, através do DVD que adquiri há algum tempo do Crossroads Festival, evento beneficente organizado por Eric Clapton que reuni diversos guitarristas e músicos. Bramhall II entra com força e pegada já no início do primeiro disco, logo após a apresentação sensacional de John McLaughlin, guitarrista virtuoso de jazz e fusion do grupo Mahavishnu Orchestra. O som de Bramhall me impressinou bastante, repleto de vitalidade moderna, respeitando as raízes do blues e do rock clássico, ele vai fundo na busca por timbres e distorções através de uma sensacional coleção de guitarras. Observando no You Tube reparei que o cara toca Stratocaster, Telecaster, Les paul, Gibson Firebird, Flying V, SG, Dobro, modelos semiacústicas, guitarra modelo Hanh 1229 e também uma certa variedade de violões. O guitarrista também explora bem o slide, fruto de suas referências do blues acústico e do blues-rock. O músico também possui uma pegada soul funk com um punch admirável, caminhando por terrenos da herança do blues em sua veia, injetando um moderno e sensível toque pessoal de fazer jus aos arquitetos da música estadunidense. Bramhall é um herdeiro direto de um legado blues, soul e rock que vai desde Son House, Lightnin' Hopkins, Hendrix, Freddie King, Stevie Ray Vaughan a Johnny Winter, Donny Hathaway e Sly Stone. Doyle Bramhall II nasceu em 1968, em Dallas (Texas) e começou a tocar guitarra aos 13 anos, é filho de Doyle Bramhall baterista que acompanhou Stevie Ray Vaughan e também seu irmão Jimmie Vaughan, Bramhall II cresceu ao som dos Vaughan tendo aos 16 anos acompanhado a banda de Jimmie Vaughan, The Fabulous Thunderbirds como segundo guitarrista. Montou a banda Arc Angels e em 1992 sai seu disco de estréia chamado simplesmente Arc Angels, uma pedrada sonora com peso e sentimento. A banda fez respectivo sucesso, mas em 1994, encerrou suas atividades se reunindo apenas esporadicamente para tocar. Seu primeiro cd solo foi lançado em 1996 e foi intitulado com seu próprio nome. O disco "Doyle Bramhall II" é uma sensacional aula de blues moderno, um som chapante repleto de boas composições e novas ideias. Em 1999, Bramhall lança Jellycream, um álbum incrível que é perceptível o seu desenvolvimento como compositor, inclusive tendo duas músicas desse álbum gravadas no disco "Riding with the King" de B.B. King junto com Eric Clapton, "I wanna be" e "Marry you". O guitarrista já acompanhou o próprio Clapton em turnê e tocou no disco "Reptile" do músico inglês. Em 2001, veio com outro grande disco "Welcome", que foi bastante elogiado. Bramhall II acompanhou Roger Waters na turnê In the Flesh e tocou também com Sheryl Crow. Colaborou em discos de Susan Tedeschi, Erikah Badu, Meshell Ndegeocello, Boyd Tinsley (Dave Mathews Band) e na banda do pai que acompanhava Steve Ray Vaughan, Double Trouble. O músico texano também é produtor tendo trabalhado em álbuns da cantora Sheryl Crow e de Eric Clapton. Em 2009, lançou um cd e dvd ao vivo com o Arc Angels intitulado "Living in a dream" realizando uma série de shows pelos Estados Unidos e Europa. Salve Doyle Bramhall "The Second" um verdadeiro buscador de timbres e ideias pela renovação do blues e da música contemporânea. Abaixo o link de seu segundo disco solo, Jellycream:
Jellycream:
O link abaixo é de um blog totalmente em português, contendo muitas informações de Bramhall II:
http://www.doylebramhall2.blogger.com.br/

Ouvindo: Doyle Bramhall - Day come down

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O Peregrino da Terra Brasilis

Nando Carneiro é aquele instrumentista que coloca alma em sua sonoridade e desenha um Brasil colorido e diverso atráves das cordas de seu violão e de seu piano. É um barroco, um criativo, um homem de sentimento aflorado que traz Minas Gerais em seu toque e carrega um Brasil verdadeiro que com devido respeito se empenha na arte da composição brasileira. Nascido em Belo Horizonte, em 26 de junho de 1953, Nando cresceu em um ambiente musical, seu avô havia formado no interior de Minas, uma banda no qual tocava bombardino e seu pai tocador de violão e apaixonado pela música trazia para casa amigos instrumentistas cercando o garoto com música desde cedo. Nando começou tocando piano aos 6 anos, tendo aulas com a professora Carmen Manhães, estudou violão com Leo Soares, teoria, harmonia, composição e regência com John Neschling e harmonia e composição com Roberto Gnatalli. Em 1973 montou o grupo A Barca do Sol, juntamente com os irmãos Muri Costa e Marcelo Costa, mais tarde a formação do grupo contou com as participações de Beto Resende, Marcelo Bernardes, Marcos Stull, Alain Pierre, Ritchie, David Ganc e o violoncelista Jaques Morelenbaum. Nando já tocou com Egberto Gismonti, Toninho Horta, Piry Reis e Milton Nascimento. O músico também formou com o baixista Zeca Assupção, David Ganc e Mingo Araújo o grupo Luxo Artesanal Quarteto. Como disse o grande pianista e compositor Gilson Perazzetta "A estrela é a música, nós artistas, somo apenas instrumentos a serviço dela", Nando Carneiro navega em um Brasil de expedições musicais e presta um serviço magistral a música. Ao escutar Topázio, disco lançado em 1988 visualizamos estradas de terra, bosques e cachoeiras que percorrem esse Brasil a fora ao mesmo tempo carregando sensiveis melodias que encontram uma cidade soturna, como no sax e na vitalidade de David Ganc. Topázio conta com Nando no violão, piano, teclado, voz e programações, David Ganc no sax alto , sax tenor, flauta, picolo e assovio e Mingo Araújo na percussão e voz. Um belíssimo disco de muita brasilidade e sentimento, um disco daqueles que encantam e apaixonam o ouvinte atento e sensível. Boa viagem !!!

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Ouvindo: Nando Carneiro - Peregrino

sábado, 1 de maio de 2010

Encontro dos anjos

O que dizer desse álbum, que na minha opinião desde já é um dos melhores lançamentos do ano. Omar Rodriguez Lopez e John Frusciante lançaram um disco incrível, repleto de sutileza e inspiração, um duo maravilhoso, uma redenção espitritual, um encontro de anjos. John Frusciante, ex-guitarrista do Red Hot Chili Peppers e um dos mais talentosos guitarrristas estadunidenses que assumiu como missão gravar vários discos ao longo do início do século XXI, lançou álbuns solos fantásticos entre eles: "To Record Only Water for Ten Days", "Shadowns Collide with People", "Curtains" e o recente "Empyrean" e ainda o projeto Ataxia com Josh Klinghoffer. Nas palavras de Omar sobre John dada a revista Guitar Player: "Ele pega a coisa e não há separação entre ele e a guitarra. Cada única coisa que ele toca, ele coloca requinte e beleza nela. Ele é natural, que, para mim, veio através de um monte de estilo de tocar e teimosia, e o pensamento que a guitarra e eu estamos presos uns aos outros, então, por isso, é melhor fazer o melhor dela". A amizade entre os dois é antiga e já rendeu colaborações em diversos shows, inclusive com o baixista Flea dos Chili Peppers, realizando encontros sempre arrebatadores, cercados de improviso e experimentação.
John tem uma maneira de tocar guitarra completamente apaixonada, sutil e distinta que de encontro com o prolífico guitarrista da banda Mars Volta, o porto-riquenho radicado nos EUA, Omar Rodriguez Lopez geraram esse fantástico disco. Omar que entre 2008 e 2009 lançou diversos trabalhos e projetos, incluindo o envolvente "Old Money" toca no primeiro disco de Frusciante pós-saída do Chili Peppers, esse disco pode se dizer que é um duelo de guitarras, efeitos e sintetizadores que simplesmente leva o nome "Omar Rodriguez Lopez & John Frusciante". A dupla vai do rock progressivo e experimental passando por psicodelia e sonoridades acústicas. Omar carrega influências diversas que vão desde King Crimson, Genesis, Pink Floyd até Andrés Segóvia, Yomo Toro e Django Reinhardt. O álbum está disponivel para download grátis no site de Omar: http://omardigital.rodriguezlopezproductions.com/, com a opção também de se doar certa quantia aos artistas, mas toda a renda será destinada a programas educativos para levar músicas as escolas. Segundo o site de download Magiska, esse é o primeiro de dois álbuns que a dupla irá lançar. Ainda Omar, ressaltando em entrevista para a Guitar Player a relação com a sua música:"Para o meu trabalho que é realmente comovente e é parte de minha vida, porque eu realmente tenho uma vida fora deste mundo, não bebo, não uso drogas, não fumo cigarros de maconha, eu gosto de acordar cedo, meditar, comer um bom e pequeno almoço, desfrutar da comida, assistir filmes, são tudo partes de mim, se eu estou fazendo algo sobre isto, então eu estou fazendo o que é necessário para executar minhas músicas". Omar e Frusciante é o encontro que a música contemporânea precisa: sutil, criativa e ousada. Um grande álbum do século XXI !!!

Ouvindo: Omar Rodriguez Lopez & John Frusciante - ZIM

sábado, 24 de abril de 2010

A orquestra cinematográfica

Escutar o som da Cinematic Orchestra é estar dentro de um sonho, devaneio ou uma abstração qualquer. O violoncelista Jaques Morelenbaum disse certa vez que a música instrumental permite ao ouvinte uma abstração em que ele lida com a imaginação dentro dele, diferente da música com letra e poética contida. O som hipnótico da orquestra é algo fantástico, mestres em criar ambientes sonoros e atmosferas experimentais e sinfônicas, a orquestra é originária da Inglaterra e tece elementos eletrônicos, downtempo, ambient e improvisação jazzísica em sua sonoridade, misturam instrumentos orgânicos guitarra, teclados, sopros, bateira, baixo com samples e efeitos. O grupo se formou no final da década de 90 por Jason Swinscoe e em 1999, após lancar o disco Motion, o grupo foi convidado a tocar na cerimônia do Director's Guild Awards que naquele ano homenagiava a obra do cineasta Stanley Kubrick. Em seguida eles compõe a trilha para um clássico de 1929 do cinema russo chamado "Man with the movie camera" de Dziga Vertov, que renderam ótimos elogios e visibilidade para o grupo. Em 2007, a orquestra lança "Ma Fleur" pelo selo Ninja Tune especializado em lançar artistas de nu jazz, hip hop e downtempo, contando com algumas faixas vocais, como a participação da cantora canadense Patrick Watson, Lou Rhodes vocalista da banda de trip hop Lamb e a cantora Fontella Bass responsável pela belíssima perfomance na faixa "Breathe". Apesar de "Ma Fleur" ser considerado uma entrada do grupo em aspectos pouco mais comerciais, o disco tem momentos de experimentações bem elaboradas como no som "As The Stars Fall" e uma músicas de textura mais sinfônica como é o caso de "Prelude". As músicas "Child song" e a que dá nome ao disco "Ma Fleur" ganham contornos jazzisticos bem viajantes, "Music Box" e "That Home" são lindas baladas que exaltam a intenção do disco. "Ma Fleur" é um álbum de inspiração singular em que a criatividade e o tratamento merecem atenção e respeito para essa orquestra que vem lançado um dos trabalhos mais interessantes desse século. Abaixo o link. Good Vibes !!!
Link:

Ouvindo: Cinematic Orchestra - Child Song

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Brahem Directions

Os rumos que o músico tunisiano Anouar Brahem vem tomando nos últimos anos em sua música são verdadeiras poesias cercadas de sentimento, talento e fidelidade a sua terra natal. Anouar Brahem nasceu em 20 de Outubro de 1957, em Halfaouine na Medina de Tunis e começou a tocar oud (instrumento tradicional que é uma espécie de alaúde renascentista) aos 10 anos incentivado pelo pai. Estudou no Conservatório Nacional de Música de Tunes, tendo como professor Ali Scriti que faz dele seu discípulo e lhe ensina a música erudita árabe, o Maqam, e a arte da improvisação, o Taqsim. Ao seguir com sua carreira, começa a tomar cada vez mais contato com a música do mediterrâneo, aos sons do médio oriente, ao jazz e a música clássica. Em 1981, sente necessidade de novas experiências e parte para Paris. Na capital francesa, Brahem alarga os seus horizontes musicais compondo sobretudo para peças de ballet e para cinema. Regressa à Tunísia em 1985, decidindo se dedicar a composição e através de um convite do festival de Cartago, reuni um grupo diverso de músicos, desde figuras marcantes da música da Tunísia até ao jazz francês, com nomes como François Couturier, François Jeanneau e Jean-Paul Celea. Em 1990, encontra Manfred Eicher que lhe propõe gravar seu primeiro disco para o selo ECM, "Barzakh" marca o início de uma colaboração perene de Brahem com a ECM Records, levando consigo a música do mundo árabe e islâmica para o mundo. Segundo o crítico Stéphane Ollivier: "Anouar Brahem é um fenômeno, uma verdadeira concentração de paradoxos fecundos: um clássico supremamente subversivo; um solitário resolutamente aberto ao mundo; um atravessador de culturas tanto mais inclinado a se aventurar nos limites mais extremos de si mesmo, quanto ele não pretende jamais ceder um polegar que seja sobre exigências estéticas forjadas ao longo do tempo sobre um profundo respeito da tradição". Brahem já tocou com músicos talentosos do jazz e de culturas misturadas como Jan Garbarek, John Surman, Dave Holland, Manu Katché, Barbarose Erköse entre outros. O músico se aventura em terrenos universais, mas respeitando a ancestralidade de suas origens e ainda assume como missão restaurar o oud como instrumento solista, já lançando 9 álbuns, todos consagrados por público e crítica. Em 2009, ele lançou "The Astounding Eyes of Rita", um álbum ao lado do clarinetista baixo Klaus Gesing, Bjorn Meyer (baixo) e Khaled Yassine (darbouka e bendir), um disco fantástico que ressalta a margem da sua poesia atráves do Oud. Abaixo o Link. Bon Voyage !!!

Link:
http://rapidshare.com/files/288259223/The_Astounding_Eyes_of_Rita_-_Anouar_Brahem.rar

Ouvindo: Anouar Brahem - The Lover of Beirut

sábado, 17 de abril de 2010

O admirável mundo de Hermeto Pascoal !!!

O show de ontem do mestre Hermeto Pascoal, no primeiro dia da edição do Copa Fest foi incrível, uma experiência espetacular. Ter esse privelégio e essa oportunidade histórica foi uma honra, realmente o show de Hermeto Pascoal é uma aula de música, de história da música brasileira e de prática em conjunto, já que o grupo passa por diversos ritmos dentro de sua liberdade musical cercada de improviso e ousadia. Hermeto passeia por diversos compassos em uma mesma música, como se pinta-se ritmos brasileiros em uma majestosa obra prima com sua chamada definição para abranger uma música que seja universal, se livrando das amarras de rótulos e clichês, música no sentido amplo de liberdade para se fazer o que quiser e improvisar quando bem entender. Está ali o baião, o frevo, o samba, o jazz, a bossa nova, música caipira, forró etc... O fantástico time que acompanhou Hermeto foram Márcio Bahia (bateria) quebrando tudo em seus solos, Itiberê Zwarg (Baixo) fantástico, o inspirado Vinícius Dorin (saxofone e flauta), Fábio Pascoal (percussão), Aline Morena (voz e violão), Andres Marques (piano) e a participação da Orquestra Família Itiberê em um momento do espetáculo. Hermeto tocou clavinete, flauta baixo, bule e até patinhos de borracha. Um show que de fato guardarei eternamente na memória. Salve o mestre Hermeto Pascoal. Salve sua música genuinamente brasileira e universal !!!

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Um Bom Expresso Por Favor !!!

Em 2008, o trio Belleruche formado em Londre(Uk), por Kathrin Deboer (voz), Ricky Fabolous (guitarra) e o DJ Modest lançaram o álbum "The Express", pela gravadora Tru Thoughts. O som do trio é uma mistura de elementos contempôraneos como nu-jazz, downtempo, hip hop e turntablism ao soul e rhythm & blues contido na bela voz de Kathrin Deboer. O uso de scratch e samples é uma marca constante no som do trio, com bases que lembram bandas de influência downtempo e trip hop. O disco anterior "Turntable Soul Music" lançado em 2007 já anunciava o rumo que o grupo iria tomar. The Express é bem classe A, dançante e agradável . Vale a pena. Abaixo o link soul brother !!!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Bem vindo a Saxophobia

A coletânea "Saxophobia - sexy and lounge", com essa capa incrível e muito bem elaborada, pode ser uma coletânea basicamente dedicada ao smoth jazz e algumas pérolas perdidas do pop jazz, já que o propósito da coletânea é explorar o saxofone para um público que gosta de música ambiente, cool jazz e também curte uma linha do jazz mais pop, além de smoth jazz, um estilo que utiliza instrumentos tipicos no jazz e alguma improvisação, mas caracteriza-se por misturar elementos da música pop, funk, soul e rhythm and blues e fez bastante sucesso comercial nas rádios, principalmente na década de 90, o disco apresenta uma atmosfera chill para quem curte relaxar com um whisky ao lado ou qualquer outra bebida que possa valer a preguiça na rede. O disco contém saxofonistas conhecidos do público de smooth, como Jeff Kashiwa e Jessy J e uma aparição interessante do Romantic Saxophone Quintet tocando o clássico dos Bee gees "How deep is your love", mas o ponto alto do disco são as versões em que o saxofone aparece mais tímido, mas está presente aveludando a qualidade das canções são elas "More than this" uma vesão de Norah Jones para a música do grupo Roxy Music, Steffen Waltenberger Band com "Littler Blue Girl" e a orquestral "Living in High Definition" de George Benson e com trompete a belíssima "Caruso" de Tito Beltran, City of Prague Philharmonic & Stapleton e "For You What I am" de Amanda Lear. Apesar de jamais poder se julgar um disco pela capa, a coletânea tem o seu mérito e a capa insisto em dizer é muito bem bolada e criativa. Vale a sacada. Abaixo o link. Take easy man !!! Peace

Link:
depositfiles.com/pt/files/bgm2hw697

Ouvindo: Steffen Waltenberger Band - Little Blue Girl

segunda-feira, 29 de março de 2010

Saxophone Days parte III, por Cortázar


"Bem, estou com vontade de tocar e tocaria agora mesmo, se tivesse o sax, mas Dédée emperrou que só ela leva o sax ao teatro. É um sax formidável, ontem eu achei que estava fazendo amor com ele enquanto tocava"

Julio Cortazár
Conto: O Perseguidor
As amas secretas, ed. José Olympio, 2006

Ouvindo: Stan Getz & Bill Evans - Melinda

domingo, 28 de março de 2010

Vocação para mago

Aaron Parks é um pianista com uma carreira bastante promissora e criativa, pertencente a uma nova geração de músicos que renovam e modernizam o jazz junto com Brad Mehldau, Bad Plus, Tord Gustavsen e o grupo Rudder (já citado nesse blog). Parks conseguiu construir um dos grandes álbuns de jazz dos últimos tempos, o aclamado “Invisible Cinema”. Aaron Parks, nascido em 7 de outubro de 1983, está de ouvidos abertos com o seu tempo, observa-se nesse disco texturas e influências de indie rock e rock experimental, segundo Alê Duarte do site Radiola Urbana: “Parks subverte a principal característica do jazz desde o surgimento do bee-bop e se aproxima da música pop mais tradicional na execução e de novos níveis climáticos na sonoridade – como se o Radiohead resolvesse gravar um disco de jazz”. Parks que já foi sideman do excelente trompetista Terence Blanchard, com quem gravou alguns álbuns e também excursionou, já lançou três álbuns, inclusive o ótimo “Wizards” de 2001, que junto com um quinteto passeia por diversos estilos, fazendo uma viagem musical bastante interessante. Em entrevista Parks diz ter influências diversas que vão desde Carla Bley, Keith Jarrett, Wayne Shorter, Ornete Coleman e Miles Davis passando por Radiohead, Bjork, Blonde Redhead, Debussy e Bach. Apesar de sua virtuosidade, o pianista está a favor da experimentação e de mostrar um campo aberto para novos apreciadores de jazz, suas melodias soam bem contemporâneas e coesas, buscando a criatividade a todo instante. “Invisible Cinema” conta ainda com a participação do guitarrista Mike Moreno, Eric Harland na bateria e Matt Penman no baixo. A partir da faixa que abre o disco “Travelers”, já observamos que iremos adentrar em terreno desconhecido, se tratando de um álbum diferente de um disco de jazz mais purista. Moreno que entra a partir da segunda faixa tocando a inspiradíssima “Peaceful Warrior” acentua a qualidade da melodia fazendo um solo magistral na composição de Parks. Nas faixas “Into The Labyrinth” e “Afterglow”, o pianista também mostra que tem talento para ser um músico de concertos. Em "Nemesis" e "Harvesting Dance” o flerte de Parks com o indie e o rock experimental ganha contornos contemporâneos. Virtuosismo, originalidade e coragem estão presentes nesse extraordinário álbum lançado em 2008. Vida longa a Aaron Parks. Vida Longa ao seu jazz de olho no futuro. Abaixo o link. Good Trip !!!

Link:
http://www.zshare.net/download/5223839193d95293/

Ouvindo: Aaron Parks - Peaceful Warrior

sábado, 27 de março de 2010

Saxophone Days parte II - Solto nas nuvens

“Eu sempre quis que meu instrumento soasse como um Dry Martini”
Paul Desmond

O saxofone de Paul Desmond é algo absolutamente romântico, lírico e poético, se houvesse alguma definição para descrever o seu som eu diria ser um sax solto nas nuvens, um som voando limpo e ao mesmo tempo preciso. Paul Emil Breitenfeld (mudou mais tarde para Desmond, por considerar mais sonoro), nasceu em San Francisco, Califórnia, em 25 de Novembro de 1924. Filho de um organista que tocava em cinemas na época de filmes mudo, aos doze anos já tocava clarinete na escola San Francisco Polytechnic High e anos mais tarde começou a tocar saxofone alto. Neste mesmo ano, é recrutado para o serviço militar e toca com a banda do exército. Paul Desmond ficou conhecido por tocar no quarteto do pianista Dave Brubeck, onde tocou por 17 anos e compôs um dos maiores sucessos do grupo “Take Five”, uma de suas particularidades era o hábito de tocar longe do microfone, sempre em busca da melhor sonoridade. Desmond faleceu em 1977, deixando um legado de fraseados líricos e cristalinos para saxofonistas de várias gerações.

A California do pós-guerra foi sendo invadida por pessoas de diversas partes dos Estados Unidos buscando oportunidades e uma vida nova. Depois do saxofonista barítono Gerry Mulligan tocar em Birth of the Cool (1949), disco antológico de Miles Davis que já anunciava o chamado cool jazz (vertente do jazz mais leve e mais romântica) em contaponto ao Beboop, estilo já desenvolvido por mestres como Charlie Parker, Dizzy Guillespie, Bud Powell e Thelonius Monk e o hard bop que estava se desenvolvendo nos Estados Unidos, ele conseguiu tocar regularmente nas noites de Los Angeles e formou um quarteto com Chet Baker (trompete), Bob Whitlock (contrabaixo) e Chico Hamilton (bateria), segundo o crítico Gary Giddins: “A banda era tão serena que parecia o Oceano Pacífico. As ondas, o ar varrendo a costa Oeste e os jovens adoravam. Tornou-se muito popular nos campus e surgiu o movimento “Cool Jazz”, “West Coast Jazz”. E um dos grupos mais conhecidos da época, era o então quarteto de Dave Brubeck que contava com Dave Brubeck no piano, Eugene Wright no contrabaixo, Joe Morello na bateria e Paul Desmond no sax alto. O disco “Time Out”, de The Dave Brubeck Quartet é lançado em 1959 e contém “Take Five”, composta por Desmond em um dinamismo e lirismo impressionante, uma música no compasso 5/4. “Blues Rondo A La Turk” é uma música de Dave e ele explica que quando viajou para a Turquia notando que tocavam músicas no compasso 9/8, improvisando com em um blues, foi que pensou em criar nesse compasso também, isso porque Dave Brubeck teve ensimentos bem claros de seu mentor, o compositor francês Darius Mihaud: “Viaje pelo mundo e mantenha os ouvidos abertos. Use tudo o que ouvir de outras culturas e traduza para o idioma do jazz”. O resultado de “Time Out" foi o desejo de Dave Brubeck de passar por várias marcas de tempo na música que não eram usadas no jazz. O álbum foi o primeiro disco de jazz a vender 1 milhão de cópias, além do sucesso comercial, The Dave Brubeck Quartet lotavam shows, foram reconhecidos por diversos músicos, inclusive por Willie The Lion Smith, que quando ouviu um de seus discos sem que lhe dissessem quem estava tocando, disse: “Ele toca como a origem do blues”. Dave sabia o quanto devia a gerações mais antigas de músicos negros, Duke Elligton era um deles, no qual considera o maior dos compositores estadunidenses. O disco “Time Out” é um deleite, uma obra prima da música universal, repleto de romantismo, criatividade e ousadia. O quarteto com essa formação se manteve em ação até 1967, depois Dave Brubeck continuou esporadicamente se apresentando com Desmond, mas montou com Gerry Mulligan, Allan Dawson e Jack Six, um grupo que durou até 1972. O trompetista Wynton Marsalis disse certa vez que os melhores encontros de músicos são suaves e intensos, ele quis dizer que foi assim quando Miles se reuniu com outros músicos e lançou “Birth of the Cool”. Suave e intenso, também foi o encontro de Brubeck e Desmond, juntos eles entraram para a história do jazz, o piano de Dave Brubeck e o saxofone solto e alto nas nuvens de Paul Desmond. Abaixo o link em 2 partes da edição de 50 anos de Time Out. Abraços !!!

Parte 1:
Parte 2:

Ouvindo: The Dave Brubeck Quartet - Everybody's Jumpin'

sábado, 20 de março de 2010

Uma Grande Homenagem ao Maestro Soberano !

O talentosíssimo pianista Fred Hersch é ao lado de Tord Gustavsen e Aaron Parks, um dos pianistas contemporâneos que eu mais gosto, sua maestria e dedicação ao piano estão a favor da sensibilidade e da técnica apurada, segundo o escritor David Hajdu autor da biografia de Billy Strayhorn, o pianista e compositor estadunidense Fred Hersch seria o expoente de um jazz para o século XXI. Nascido em Cincinatti, Ohio em 1955, Fred começou a aprender piano bem cedo e estudou no New England Conservatory of Music em Boston, mas radicou-se em Nova York, onde vive desde 1977. Ele já tocou com Sam Jones, Billy Harper, Joe Henderson, Lee Konitz, Charlie Haden entre outros. Em sua jornada, Fred mostra ligações com o jazz de Thelonius Monk e Charles Mingus, sendo muito influenciado também pela música brasileira, já tendo trabalhado com as cantoras Leny Andrade e Luciana Souza. Em 2009, Fred lançou um álbum em homenagem ao compositor Antonio Carlos Jobim, fazendo um disco incrivelmente bem elaborado e sensível, o pianista passeia por encadeamentos rítmicos com leveza e profundidade, utilizando estruturas clássicas nos arranjos, como é o caso de "O grande amor", em que ele realça a melodia envolto de uma técnica habilidosa e "Insesatez" em que ele alterna o andamento ora suave e depois avança, fazendo uma linda ponte conceitual para esta canção. O disco conta ainda com a participação do percussionista Jamey Haddad, que aparece em "Brigas Nunca Mais" e Hersch encerra o álbum com a clássica "Corcovado", onde mescla notas meditativas com uma harmonia estruturada, exaltando a linda melodia da canção. Lembrando que em 1998, Fred lançou o ótimo disco "Sing We Know", ao lado do guitarrista Bill Frisell, onde a versão para "Wave" de Tom Jobim é extremamente bela. Fred Hersch plays Jobim, é um disco sensacional em que o artista traz um frescor original para a obra de Jobim, extremamente revigorada e prazeirosa. Uma grande homenagem ao nosso maestro Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, o Tom. Abaixo o link !!!

http://rapidshare.com/files/312510149/Fred_Hersch_plays_Jobim.rar

Ouvindo: Fred Hersch - Meditação

quinta-feira, 11 de março de 2010

Considerações sobre o Jazz, por McLuhan.

"A palavra Jazz vem do francês Jaser, conversar. O Jazz, de fato, é uma forma de diálogo entre instrumentistas. Estas novas formas, que muito contribuiram para recuperar o mundo vocal, auditivo e mimético que vinha sofrendo a repressão da palavra impressa, também inspiraram os estranhos novos ritmos da era do Jazz, aquelas várias formas de síncope e descontinuidade simbolista que como a relatividade e a física quântica, anunciavam o fim da era de Gutemberg, com suas macias e uniformes linhas tipográficas. Se o Jazz é considerado o mecanismo em direção ao descontínuo, ao partipante, ao espontâneo e ao improvisado, também pode ser visto como retorno a uma espécie de poesia oral, em que a interpretação é ao mesmo tempo criação e composição".

Marshall McLuhan, no capítulo "O Fonógrafo" do Livro O meios de comunicação como extensão do Homem (1964).

quarta-feira, 10 de março de 2010

O Grande Bud !

É sempre bom ressaltar a importância de Bud Powell na modernização do jazz, sendo ele um dos principais protagonistas ao lado de Charlie Parker, Thelonius Monk e Dizzie Gillespie na criação do bebop. Bud nasceu em 1924, em Nova York e começou a tocar com 5 anos de idade, aos 7 anos já acompanhava músicos de jazz em concertos e ensaios para ser admirado por outros músicos. Tornou-se profissional aos 15 anos e em 1941, Bud já possuia um nome estabelecido na cena jazzística, quando é convidado pelo ex-trompetista da orquestra de Duke Ellington, Cootie Williams, para excursionar com sua banda. Em seguida agravam-se seus problemas com alcoolismo e anos depois é preso com Thelonius Monk por porte de drogas. Morou na França de 1959 a 1964 e compôs músicas dedicadas ao povo francês, que tanto apreciava a sua música. De volta a Nova York levando uma vida atribulada e com problemas de saúde, Bud vem a falecer em 1966. Ele gravou com Charlie Parker, Dizzie Gillespie, Miles Davis, Sonny Rollins, Dexter Gordon entre outros. Bud Powell escreveu sua história com composições que continuam sendo tocadas até hoje. Os momentos mais luminosos de sua carreira estão gravados pela Blue Note em 3 sessões, realizadas em 9 de outubro de 1949, as pérolas "Dancing of the Infidels" e "Bouncing with Bud", com Fats Navarro (trompete) e Sonny Rollins (saxofone), "Un Poco Loco" com Curley Rusell (baixo) e Max Roach (bateria) em 1° de maio de 1951 e em 14 de agosto de 1953 grava "Glass Ecloure". Disponibilizei uma coletânea com um apanhado dessas gravações que mostram como o piano de Bud é inspirador. Abaixo o Link:

terça-feira, 9 de março de 2010


Meu professor Mauro Senise vai tocar nesta terça-feira, dia 9 de março, no Teatro Carlos Gomes, às 19 horas com o grande pianista Gilson Peranzzetta com quem forma um duo que já tem 20 anos de história e música de altíssima qualidade. Nesse espetáculo eles convidam Rildo Hora. Na sexta-feira passada fui no show de meu mestre Mauro com o Gilson e a harpista Silvia Braga, lançando o cd "Melodia Sentimental" e saí de lá emocionado e nas nuvens, um lindo espetáculo de grande música e sensibilidade artística. Vale a pena chegar lá no Carlos Gomes, Praça Tiradentes 19.

O LABORATÓRIO RUDDER

Uma espécie de encanto e magia vem à tona quando o grupo Rudder sobe no palco. Projeto formado por músicos da cena instrumental e avant-garde nova-iorquina, que geralmente tocam em pequenos clubes, o grupo Rudder é sinônimo de experimentação e de um som que gravado em estúdio expõe a intenção do que esses músicos fazem ao vivo. Rudder utiliza aparatos e disponibilidades tecnológicas para criar e improvisar ao vivo e texturas e efeitos hipnóticos para quem ouve seu som, um laboratório fusion jazz que vai de Electroclash(termo criado pelo Dj americano Larry Tee para identificar um tipo especial de música eletrônica que estava surgindo em Nova Iorque por volta do ano 2000) ao Nu-Jazz . Tive o privilégio e o prazer de assistir o show deles no Festival de Jazz & Blues de Rio das Ostras em 2009 e fiquei extasiado e maravilhado com o som dos caras, em primeiro lugar por que sou um grande fã do saxofonista Chis Cheek formado em Berklee e de formação jazzística, Cheek para mim é um dos melhores saxofinistas dessa geração, ele já tocou com gente como Charlie Haden, Bill Frisell, Joshua Redman, Paul Motian entre outros. Chris é também o grande diferencial e músico brilhante do grupo, com seu saxofone em punho, ele hipnotiza a platéia tirando efeitos de seu saxofone ligado em pedais de guitarra que criam muitas das frases melódicas experimentais do grupo. Rudder também conta com o tecladista Herry Hey, que usa e abusa de texturas sintetizidas e sampleadas, que já tocou com Bill Evans, Till Broenner e Rod Stewart e ainda também no grupo o baterista Keith Carlock que possui uma passagem pelo grupo Steely Dan e integrou o trio do guitarrista Wayne Krantz e no baixo Tim Lefebvre que faz parte da banda do programa "Saturday Night Live". Segundo as palavras do próprio Tim: "Ao invés de soar como quatro indivíduos, buscamos atmosferas sonoras", está aí a explicação para o som alucinante do quarteto, afinal para que serve um laboratório, senão experimentar. Consegui o álbum Matorning lançado em 2008 e chapei na primeira audição, um disco fantástico e viajante. Abaixo o disco. Good Trip !!!

domingo, 7 de março de 2010

Orton, Very Well !!! My Muse

Uma das artistas e cantoras mais interessantes e criativas da contemporaneidade é sem dúvida Beth Orton, nascida em Derehan, Inglaterra, em 1970. Beth lançou em 1999, Central Reservation um amadurecimento musical em relação ao seu álbum anterior, Trailer Park (1996). Em Central Reservation, Orton passeia pelo folk habitual de seu trabalho com pitadas de música eletrônica. Em momentos do disco percebemos uma sonoridade com elementos de trip hop, Beth que já colaborou com artistas da cena eletrônica como o Chemical Brothers em meados dos anos 90, nesse álbum usa elementos de música eletrônica apenas como ferramenta e não como uma regra, já que o que prevalece no disco é o seu ambiente acústico e a boa perfomance vocal da cantora. O disco que contém as partipações de Ben Harper tocando slide guitar na faixa de abertura "Stolen Car" e do músico de folk Terry Callier em "Pass in Time", é muito bem construído e que segundo a declaração da própria dada a revista Rolling Stones na época de lançamento do disco, ele possui uma vibração própria. A melancolia de Orton em certos momentos rende boas faixas como o folk "Blood Red River", e a dylanesca "Love Like Laughter". Em 2006, Orton lançou o bom Confort of Strangers, um trabalho mais direcionado ao folk tradicional, mas foi em Central Reservation que Beth deixou um registro sobre o seu telento e sua personalidade musical, um disco muito bom que vale a pena ser ouvido. Abaixo o link do álbum.
Link:
http://www.easy-share.com/1904087234/0888.rar

Ouvindo: Beth Orton - Stolen Car

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Nos Trilhos de um Blues Acústico...

Eu podia estar em uma estrada do Mississippi, sob velhos trilhos do sul do Estados Unidos escutando um andarilho tocar seu violão national steel com um dedal de metal, trazendo lamentos, pulsação e alma para os meu ouvidos. Foi assim desde o 1° play no som de Kelly Joe Phelps, músico estadunidense que resgasta canções de blues acústico com referências da velha guarda e toques contemporâneos. Kelly Joe Phelps cresceu em Sumner, Washington, uma cidade pequena e simples dos EUA e começou a tocar guitarra com 12 anos. Ele se concentrou em free jazz e seguiu o estilo de músicos como Ornette Coleman, Miles Davis e John Coltrane e passou dez anos tocando jazz como baixista. Mas tudo mudou quando começou a ouvir mestres do blues acústico como Fred McDowell e Robert Pete Williams. O estilo de Joe Phelps é caracterizado pelo seu lapstyle slide, solo em um violão deitado em que ele dedilha e dá palhetadas com uma pesada barra de ferro. Inspirado pelo nascimento de sua filha Rachel em 1990, Phelps começou a compor músicas e a cantar. Em 1995, ele lançou seu eleogiado álbum de estréia, Lead Me On. Depois lançou seu segundo álbum, Roll Away the Stone(1997) e seguiu com Shine Eyed Mister Zen(1999). Seu quarto álbum, Sky Like a Broken Clock, apareceu em 2001, dessa vez com acompanhamento de um baixista e um baterista. Beggar's Oil EP, foi a favorita dos críticos em 2002. Em ordem para alcançar um som rico e orquestrado em Slingshot Professionals, lançado em 2003, ele coletou um ampla turma de músicos para tocar violão, baixo, bateria, bandolim, violino e acordeão. Em 2005, Phelps lançou um álbum acústico, Tap the Red Cane Whirlwind, que foi seguido um ano depois pelo álbum de estúdio Tunesmith Retrofit. Western Bell é seu oitavo álbum, contendo músicas instrumentais e pode ser um verdadeiro passeio pela alma das estradas e trilhas norte-americanas que segundo a definição em seu site são composições tão completamente formadas, tão salpicadas com os fatasmas da American Music, que você juraria que elas existirão por gerações. Segundo o grande guitarrista Bill Frisell: "Ele parece ter batido na artéria de algum jeito. Tem muito acontecendo entre e atrás das notas. Mistério. Ele foi uma inspiração para mim", observa Frisell no site de Phelps ao ter contato com a música do próprio. Concluindo, posso dizer que a música de Kelly Joe Phelps é poderosa, forte como um hino das estradas da região do Delta, Mississippi, forte como uma história contada nas cordas de andarilhos e românticos que tocam seu blues em um violão lapsteel por aí. Abaixo postei o cd Shine Eyed Mister Zen, apreciem !!! Delta Vibe !!!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A Paz Sonora !!!

Saiu em DVD no Brasil, o projeto "Playing For change - Peace Thoung Music" dos diretores Mark Johnson e Jonathan Walls, o projeto que consiste em gravar e captar perfomances de músicos de vários lugares do planeta e transformar em uma espécie de clip simultâneo, criando uma nova combinação em que todos os artistas estão, essencialmente, realizando em conjunto, apesar de centenas ou milhares de quilômetros de distância suas apresentações, foi a ambiciosa jornada dos idealizadores que levou os do pós- apartheid da África do Sul, através dos sítios arqueológicos do Oriente Médio, até a beleza remota do Himalaia e além, conforme descrito na contracapa do DVD. Usando tecnologia móvel de captação de som, os diretores filmaram e gravaram mais de 100 músicos, em grande parte ao ar livre em parques, praças, estradas, nas ruas de paralelepípedos e em meio a montanhas, trazendo elementos musicais de diversas culturas e etnias. O documentário ainda conta com a participação de artistas como Bono Vox, Keb Mo e Nahuel Schajris. Destaco a apresentação do músico de rua Roger Ridley, que com sua apresentação abre o documentário com uma belíssima perfomance de "Standy by me". Playinng For Change é o resultado de uma colaboração global de artistas em prol de um mundo pacífico e sonoro. Vale a pena assistir. Abaixo o link da versão de "One Love" de Bob Marley que aparece no DVD !!!

http://www.youtube.com/watch?v=aEW0BtFuj5I

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O Cancioneiro do Norte

Bon Iver pode se orgulhar de ter lançado um belíssimo disco, de enorme sensibilidade. Justin Vermon (nascido em Eau Claire, Wisconsin, EUA, em 1981), o mentor por trás dessa obra, montou o Bon Iver — nome retirado da expressão francesa bon hiver (bom inverno) em 2007, os outros integrantes são Michael Noyce, Sean Carey e Matthew McCaughan. O disco "For Emma, Forever Ago", lançado em 2008, pode ser apreciado como um disco de canções folk, que exaltam doses de experimentalismo e harmonias vocais inspiradíssimas, seja na poesia contida nas letras ou na construção de lindas melodias, o disco que foi gravado durante os três meses em que Justin passou sozinho numa cabana no meio da neve após o desmembramento de sua antiga banda DeYarmond Edison, chama atenção pelo vocal exótico e sensível do vocalista e compositor Justin Vermon que ampliou a sonoridade do álbum com muitos overdubs e uma atmosfera lo-fi de toques e vozes precisas. O disco que remete entrar em um estado de instropecção e até mesmo relaxar, me surpreendeu pela qualidade sonora e melódica, em que Justin nos ensina como desenhar uma canção e como conversar com a alma. Abaixo o link do disco "For Emma, forever ago". Blesses !!!

Link:

Ouvindo: Bon Iver - Re: Stacks

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Saxophone Days parte I

Tudo se transformou, a paixão veio repentina, mas nesse momento só sou eu, eu e o meu fôlego, adentrando no prestígio dessa noite. Ando meio cansado, cansado, porém vivo. Nesse instante o vento me leva até a ponte, nessa ponte eu e meu saxofone levam a música e o sentimento do meu coração pra fora. Me afastei um pouco, o pouco que dois discos de sucesso me esvaziaram, minha música não tem regras, não é ditada por nenhum homem de negócios, eles não podem beber do meu vinho, muito menos se alimentar da minha chama. Minha melodia é levada por entre os vultos da cidade, o Brooklyn que parece tão distante ao mesmo tempo tão próximo, leva meu clamor a se suicidar para renascer um novo homem, um novo músico. Cresci no Harlem, envolto da nata jazzistica desse planeta e sei agora que Parker e Hawkins podem ouvir meu blues aonde estiverem. Eu procuro estar aqui agora e me conectar com meu verdadeiro som, com a minha música interior.

Esse texto foi inspirado em um trecho da vida do saxofonista Sonny Rollins. Abaixo o link de um de seus disco - Sonny Rollins - The Bridge.


Ouvindo: Sonny Rollins - God Bless the child
"Se o dia e a noite são de tal forma que vós os saudais com alegria, se a vida emite uma fragrância de flores e ervas aromáticas e se torna mais elástica, mais cintilante e mais imortal - eis aí o vosso êxito. A natureza inteira é vossa congratulação e tendes motivos terrenos para bendezer-vos. Os maiores lucros e valores estão ainda mais longe de ser apreciados. Chegamos facilmente a duvidar de que existam. Logo os esquecemos. Constituem, entretanto, a realidade mais elevada. [...] A verdadeira colheita de meu dia a dia é algo de tão intangível e indescritível quanto os matizes da aurora e do crepúsculo. O que tenho na mão é um pouco da poeira das estrelas e um fragmento do arco-íris."

Henry David Thoreau retirado de Walden, ou a vida nos Bosques.

Tradução: Astrid Cabral, Global Editora.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

ALERTA TERRA CHAMANDO !!!
Por uma era de paz, preservação e humanismo.

Após o fracasso por um acordo mais consistente na Conferência do clima (COP-15) em dezembro do ano passado em Copenhague, fica a deixa para a reflexão da urgência por um acordo global, ações para preservar o planeta e medidas de redução dos gases do efeito estufa. O aumento da temperatura da Terra, poderá ocasionar o derretimento das calotas polares e o aumento do nível dos mares, conforme muito noticiado na mídia nos últimos anos. Escrevendo sobre a ameaça desse aquecimento, que poderia causar o derretimento da calota polar nos mares do Ártico e a competição militar na região, nesse texto também chamo a atenção para a não-proliferação do armamento nuclear e para a proposta do Grupo Pugwash Canadense, e sua luta para a redução do armamento nuclear e o estabelicimento da Zona Ártica Livre de Armas Nucleares (NWFZ). Espero que nesse ano de 2010 e nessa década o homem acorde para preservar o meio-ambiente e acorde para ações mais eficazes em relações aos direitos, igualdade e solidariedade entre os homens, indico aqui as oito áreas de atuação definidas pela Declaração das Nações Unidas e Programa de Ação sobre a a Cultura de Paz de 1999, uma proposta para que as relações humanas sejam permeadas pelo diálogo, pela tolerância, pela consciência da diversidade dos seres humanos e de suas culturas, ou seja, a paz na diversidade. A ONU definiu a cultura de paz na Declaração e Programa de Ação sobre uma Cultura de Paz , em 13 de setembro de 1999.
As oito áreas de atuação definidas pela Declaração das Nações Unidas e Programa de Ação sobre a Cultura de Paz de 1999 são: 1) promover uma cultura de paz por meio da educação; 2) estimular a economia sustentável e o desenvolvimento social; 3) cultivar o respeito por todos os seres humanos; 4) assegurar a igualdade entre homens e mulheres; 5) incentivar a participação democrática; 6) promover a compreensão, tolerância e solidariedade; 7) apoiar a comunicação participativa e o livre fluxo de informações e conhecimento; 8) promover a paz e a segurança internacional. Bem, esse é o otimismo do autor desse blog que espera que o mundo faça valer essa proposta e respeite mais nosso Planeta Gaia. Um feliz 2010 a todos !!!

Ouvindo: Fleet Foxes - Blue Ridge Mountains

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Viajando para Big Sur


Um dos discos que mais gostei em 2009 foi o projeto do músico Jay Farrar, ex-Uncle Tupelo e atual Son Volt, que juntamante com Ben Gibbard, da banda Death Cab for Cutie, criaram um disco inspiradíssimo em homenagem ao escritor beatnik Jack Kerouac, chamado "One fast move or I'm gone: Kerouac's Big Sur" ("Uma manobra rápida ou vou embora: o Big Sur de Jack Kerouac"). As gravações que vinham sendo feitas desde de 2007, serviram de trilha para o documentário a respeito do período em que o escritor passou na região de Big Sur, na Califórnia. Os dois músicos que são fã da literatura de Kerouac, tiraram 90 por cento das letras das músicas do romance "Big Sur" (1962), inclusive um poema que aparece como adendo ao livro - "Mar: sons do oceano Pacífico em Big Sur". Farrar e Gibbard dividem os vocais, com a participação de Brad Sarno e Aaron Espinoza na faixa título e Mark Spencer tocando vários instrumentos. Farrar também toca guitarra, percussão e gaita e Gibbard participa como guitarrista e baterista em algumas faixas. O discos que reune 12 canções, foi feito de maneira simples, segundo Ben Gibbard sem muitos adornos. Na minha opinião é um álbum repleto de canções folk que rementem ao oceano e ao campo, que fazem o ouvinte relaxar e viajar para o universo de Big Sur ou para qualquer lugar de sua imaginação.

LinK: http://rapidshare.com/files/295959884/OFMOIG_JF_BG.rar

Ouvindo: Jay Farrar & Ben Gibbard - All In One

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Som de alma

Duane Allman, nasceu em Nashville, Tenesse (USA), em 1946, foi membro fundador da banda The Allman Brothers e tocou no disco clássico de Eric Clapton, Derek & The Dominos – Layla & other assorted love songs, é dele a guitarra slide de ‘Layla”, grande clássico de Clapton. Duane Allman, analisou profundamente álbuns de suas influências musicais. Mike Johnstone, um companheiro de quarto na academia militar que ambos serviram, lembra-se de Duane, descalço, tocando junto com um álbum de B.B. King. Segundo Johnstone, ele parava e voltava o disco com o dedo do pé enquanto aprendia um lick, depois deixava o disco tocar até o próximo lick. Assim ele passava pelos dois lados do álbum e repetia o processo por horas a fio. Tamanha dedicação rendeu a Duane grandes discos e solos inspirados, além de ter tocado com o Allman Joys and the Hour Glass, Duane Allman participou como músico de estúdio, gravando uma linda versão de “Hey Jude” dos Beatles, junto com Wilson Pickett, também tocou com Aretha Franklin, King Curtis, Delaney and Bonnie, Ronnie Hawkins, Clarence Carter, John Hammond, Boz Scaggs, Herbie Mann e outros artistas, documentados em Duane Allman: An Anthology Volumes 1 e 2. Infelizmente, Duane Allman faleceu precocemente em 1971, mas deixou um legado musical incrivelmente inspirado e bonito. Duane foi um dos precursores do chamado southern rock, mistura de blues e rock com pitadas do sul dos Estados Unidos. Discos tocados com a sua banda The Allman Brothers, Layla e sessões de estúdio são verdadeiros clássicos da música universal. Que os discos de Duane Allman nos ilumine feito sua preciosa frase.

“Adoro estar vivo e serei a melhor pessoa que posso ser. Receberei amor onde quer que eu o encontre, e o oferecerei para qualquer um que o quiser... procurarei conhecimento dos mais sábios... e ensinarei aqueles que desejam aprender de mim”

Ouvindo: Wilson Pickett - Hey Jude

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Pós-solidão soneto

No silêncio das pessoas: uma introdução dos tatos.
Intangíveis elas sonham o erótico em corpos da cidade.
É quando a minha solidão, vai de encontro a sua, assim em ubiquidade acelerada.

A comunicação que reina por aqui é aquela sem algarismos,
ela não banca libidos, só iludi meninos que flagram vestigios de peças.

Quando queremos no outro, aquilo que se precisa é precisa a farpa leve solta da maré.

Onde os países voam, eu me encontro numa ilha,
sob arquipélagos de consumo em tempo mercador,
que no imaginário desvendam nuvens e instintos que sobrevoam
salvando cores e ossos, talves eles mudem, talves eles cresçam.

Victor Bello

Ouvindo: Ali Farka Toure - Diaraby

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Se brilhassem os faróis


Se brilhassem os faróis, o rosto sagrado,
Preso num octógono de insólita luz,
Murcharia, e todos os mancebos do amor
Pensariam duas vezes antes de cair em desgraça.
Os traços de suas íntimas trevas
São feitos de carne, mas que chegue o falso dia
E caiam de seus lábios as cores desbotadas,
Que as vestes da múmia exponham um peito antigo.

Disseram-me que pense com o coração,
Mas o coração, como a cabeça, conduz ao desamparo;
Disseram-me que pense com a pulsação
E, quando ela se acelerar, mude o ritmo da ação
Até que no mesmo plano se fundam os campos e os telhados
Tão rápido me movo ao desafiar o tempo, o tranqüilho fidalgo
Cujas barbas flutuam ao vento.

Ouvi o que muitos anos tinham a me dizer,
E muitos anos atestariam alguma mudança.

A bola que lançei quando brincava no parque
Ainda não tocou o chão.

Dylan Thomas - Poemas Reunidos (1934-1953)

Ouvindo: John Frusciante - Resolution
Texto de Fidel Castro, extraído da Revista Caros Amigos, de Agosto de 2008

O DESCANSO
Encontro com um Nobel de Literatura

Decidi descansar ontem, e me reunir com Gabo e Mercedes, que visitam Cuba. Como desejava rememorar quase 50 anos de amizade sincera!
Nossa agência de notícias, sugeridas pelo Che, acabava de nascer e contratou um modesto jornalista, chamado Gabriel García Márquez. Nem a Prensa latina nem Gabo umaginavam que seria um Prêmio Nobel.
Falar com Gabo e Mercedes quando vinham a Cuba convertia-se numa receita contra as tensões em que de forma inconsciente, mas constante, vivia um dirigente revolucionário cubano. Assim que chegaram, eles entregaram-me um presente. Continha pequenos volumes. São os discursos pronunciados em Estocolmo, Suécia, por cinco ganhadores do Nobel de Literatura nos últimos 60 anos. "Para que você tenha material de leitura" - disse-me Mercedes.
Pedi mais dados antes deles irem embora às 17h. Minha curiosidadenão cessava. Os cinco Nobel escolhidosna pequena coleção foram: William Faulkner (1949); Pablo Neruda (1971); Gabriel García Márquez (1982); John Maxwell Coetzee (2003); Doris Lessing (2007).
Gabo não gostava de proferir discursos. Passou meses à procura de dados, angustiado pela palavras que devia pronunciar. O Nobel é outorgado na capital de um país que não tem sofrido os estragos de uma guerra em mais de 150 anos, regido por uma monarquia constitucional e governado por um partido social-democrata onde um homem nobre como Olof Palme foi assassinado por seu espírito solidário com os países pobres. Não era fácil a missão. Não é preciso dizer como pensava Gabo. Basta transcrever os parágrafos finais do discurso, uma jóia da prosa, ao receber o Nobel em 10 de dezembro de 1982, enquanto Cuba, digna e heróica, resistia ao bloqueio ianque:
"Um dia como hoje, meu mestre William Faulkner disse neste lugar: Recuso-me a admitir o fim do homem" - afirmou. "Não me sentiria digno de ocupar este lugar, que foi dele, se não tivesse a consciência pela de que pela primeira vez, desde as origens da humanidade, o desastre colossal que ele se recusava a admitir há 32 anos é agora mais que um simples possibilidades científica. Diante desta realidade aterradora que, através de todo o tempo humano, deveu parecer uma utopia, os inventores de fábulas que em tudo acreditamos sentimos que temos o direito de crer
que ainda não é tarde demais para começar a criação da utopia contrária.
"Uma nova e arrasadora utopia da vida, onde ninguém possa decidir por outros até na forma
de morrer, onde realmente seja certo o amor e seja possível a felicidade, e onde as estirpes condenadas a cem anos de solidão tenham finalmente e para sempre uma segunda oportunidade sobre a terra"

Fidel Castro Ruz, 9 de julho de 2008, 19h26

Ouvindo: Gonzaguinha - Com a perna no mundo

O livro dos últimos leitores curiosos.


Eram alquimistas, bufões, poetas, metafísicos, inventores, idealistas e utopistas todos rodeados em volta do fogo candente, todos reunidos dentro de uma oca, uma oca de bambu e pau-a-pique cercada de espelhos por dentro. Quando cheguei nesta terra distante dos meus sonhos, bem na entrada havia um elefante e uma criança, um homem com cabeça de casco de tartaruga me recebeu na porteira, ele vestia uma bata, dessas bem brancas, brancas feito pluma e de linho macio. Esta Terra, parecia um pouco o sertão nordestino do Brasil, possuía poucas árvores e era cercado por uma ramagem extensa de plantas, fazendo um cercado grande em círculo e no meio a tal oca. Esse homem com cabeça de casco de tartaruga, me levou até a oca, ele disse para eu entrar com calma e que haviam muitos espelhos ali dentro e que no fundo desses espelhos haviam todas as ilusões possíveis, inclusive as dos meus sonhos. Os senhores, todos eles conversavam intercalados, parecia uma tribo primitiva que se emaranhavam em gestos e palavras, era um tanto engraçado, até que o homem que parecia ser o mais velho de todos, um senhor de cabeça chata, nariz comprido e bocas avermelhadas pegou em alguns livros e textos datilografados, havia ali enciclopédias, inúmeras correspondências de diversas partes do mundo, romances de Cervantes, Eça de Queiroz, Garcia Márquez e Cees Nooteboom, pelo que consegui observar entre alguns, textos que pareciam grandes dissertações e escrito na capa, algo referente a “As mil e uma noites e as ecrituras das cabeças de mulheres do passado" e o outro sobre “Ukbar”, retirados dos escritos de Borges, como alertava a contracapa. Tudo aquilo me chamou muita atenção, meu sonho parecia tão real, tudo era ao mesmo tão fantástico e ao mesmo tempo parecia tão sólido, diferente deste tempo líquido real que vivemos. Nessa terra dos meus sonhos, esse senhor veio até mim e disse ser um antigo alquimista das terras distantes da Turquia e Bufão aposentado de uma Escola circense da Itália, ele me falou sobre um livro que não consegui exatamente identificar qual era, disse para eu guardá-lo em meu coração, mesmo sem ter me dado, apenas escreveu um verso na palma de minha mão e disse-me que aqueles eram tempos preciosos, não entendi muito bem, acatei suas palavras e meu sonho me levou para o escuro novamente, assim, não consegui mais lembrar de nada depois, apenas dos versos que permaneceram em minhas mãos, eram eles: "Naquele tempo, procurava os entardeceres, os arrabaldes e a desdita; agora, as manhãs, o centro e a serenidade" Jorge Luís Borges, fiquei refletindo e curioso com tudo aquilo e foi quando despertei para acordar para outros sonhos e para outros livros.

Texto: Victor Bello

Ouvindo: Jan Garbarek - Red Wind

terça-feira, 7 de outubro de 2008

O amante como artista.


"As imagens das quais sou excluído me são cruéis; mas por vezes também (reviravolta) sou envolvido pela imagem. Afastando-me do terraço do café em que devo deixar o outro em companhia, vejo-me partir sozinho, caminhando, um pouco arqueado, pela rua deserta. Converto minha exclusão em imagem. Essa imagem, em que minha ausência fica presa como num bloco de gelo, é uma imagem triste.

Uma pintura romântica mostra sob uma luz polar um amontoado de destroços gelados; nenhum homem, nenhum objeto habita esse espaço desolado; mas, por isso mesmo, por pouco que eu esteja dominado pela tristesa amorosa, esse vazio incita a que eu nele me projete; vejo-me como um boneco, sentado num daqueles blocos, irremedialvelmente abandonado."Estou com frio, diz o amante, vamos embora", mas não há nenhum caminho, o barco está despedaçado. Há um frio peculiar do amante: frialidade própria dos filhotes (do homem, do animal) que tem necessidade do calor materno"

"O que me machuca são as formas da relação, suas imagens; mais precisamente, aquilo que os outros chamam de forma, eu o experimento, eu, como força.
A imagem - como o exemplo para o obsessivo - é a própria coisa.
O amante é pois um artista,
e seu mundo é propriamente um mundo às avessas, já que nele toda imagem é seu próprio fim (nada para além da imagem)."


Gaspar David Friedrich

Trechos do Livro "Fragmentos de um discurso amoroso" - Roland Barthes

Ouvindo: Paulo Vanzolini - Tempo e Espaço (Paulo Vanzolini)

Citações Mutantes...As viagens do Homem Plural (parte um)

Sou muito curioso a respeito de muitos assuntos. Em uma sociedade altamente diversificada em que o futuro indica cada vez mais a necessidade de um homem plural, ou seja, um homem com competência em diversas áreas, conhecimentos e técnicas, minha avidez por diversas leituras, sempre me faz voltar as tradições filosóficas milenares, orientais e místicas. Me interesso muito por civilizações antigas como os Essênios, Atlântida, os Maias, os egípcios, a tradição sufi, o budismo, o tantrismo, taoismo etc... Vai algumas citações para quem se interessa adentrar nesse vasto conhecimento.

"Os anjos são criadores evolutivos
Eles não são mais o que os homens
pensam ainda deles.
E nós, os homens, somos a sua obra.
Enquanto obra, nós somos salvadores,
pois somente os nossos atos podem tudo salvar"
Gitta Mallasz

"Se um número suficiente de pessoas passar por
um processo de profunda transformação interna,
talvez seja possível alcançar um nível de evolução
da consciência no qual possamos merecer o nome
suntuoso que demos à nossa espécie: homo sapiens"
Stanislav Grof

"Não se preocupe,
meu sistema manterá
a consciência do Ser.
Você pensará.
Seu corpo será mais brilhante.
A mente, mais inteligente.
Tudo em superdimensão.
o mutante é mais feliz,
feliz porque na nova mutação
a felicidade é feita de metal"
Gilberto Gil

"Seja como for, a grandiosa revolução humana
de uma única pessoa irá um dia impulsionar a
mudança total do destino de um país e além disso
será capaz de transformar o destino de toda humanidade"
Daisaku Ikeda

"[...] não se meta a exigir do poeta
que determina o conteúdo em sua lata,
pois ao poeta cabe fazer
com que na lata
venha caber o incabível"
Jeanne Guesné, Gilberto Gil

Dica de livro: Os Mutantes - Uma nova humanidade para um novo milênio - Pierre Weil

Ouvindo: Victor Bello - No caminho com pierrot

UM SOL NO ESCURO


Tenho escutado muito o disco do músico paulistano Fábio Góes “Sol no escuro”, lançado em 2007 pelo selo Reco-Head. O disco traz uma sonoridade mesclada, por uma áurea melancólica e intensa, Góes experimenta desde sonoridades mais psicodélicas e indies, a uma MPB ampla. Sol no escuro, foi um trabalho de constante amadurecimento, já que o disco foi feito sem pressa, onde Fábio toca todos os instrumentos, percebendo nele influências de bandas como Radiohead, Clube da Esquina, Jorge Ben e os experimentais do Mogwai. O disco também conta com a participação da cantora Céu, na faixa jazz “Sun of your eyes”.
Góes é cantor, compositor e multiinstrumentista e trabalha também produzindo trilha sonoras para cinema, seu talento pode ser observado na trilha do maravilhoso filme de Walter Salles “Abril Despedaçado” (2001), também em “Cidade de Deus” (2002), de Fernando Meirelles e Kátia Lund, nas do documentário “Pixote in Memorian” (2006), de Felipe Briso e Gilberto Topczewski, e no curta “Balada das Duas Mocinhas de Botafogo” (2006), de João Caetano Feyer e Fernando Valle. Um disco especial, de talento e dedicação, vale a pena conferir.

Para baixar o álbum: http://lix.in/-2fcf86

Ouvindo: Fábio Góes - Mundo Acumulado

domingo, 28 de setembro de 2008

O grafiteiro dos sonhos


Sou grafiteiro das brumas, trovas, limoeiros. Grafito todo o início do século, grafito devaneios nos muros, ando descalço sobre as paredes desenhando as faces da babilônia acinzentada, percorro obras inacabadas, me atiro no teatro mamulengo e bunraku, escrevo um oásis nas mãos e lanço meu foco na retina de quem passa aqui. Vejo Pasolini na tala, capto Picasso no birro, ouço Asian Dub na tinta. Também sou grafiteiro das palavras, sou cafetão de novas idéias, rasbiscando no alto o vazio à flor da pele. Tatuando o chapisco, eu escrevo em imagens falas, veias, trabalhos, emoções, sou o cio da arte que vem para deixar rastros, sou grafiteiro das utopias rubricadas, sou grafiteiro das minhas telas roubadas, sou o grafiteiro dos sonhos.

Ilustração photoshop: Victor Bello
Texto: Victor Bello

Ouvindo: Nina Simone - Here comes the sun (François K remix)

Mestre Ben



Jorge Ben, floresceu e iluminou com maestria a música brasileira na década de 70. E se você for buscar discos como Tábua de Esmeraldas, Salve Simpatia e África Brasil da mesma década vai confirmar o que aqui está escrito e se for fuçar ainda mais vai dar de cara com um disco chamado "Negro é Lindo" de 1971, nesse disco Jorge nos presenteia com tamanho deleite, faixas lindas, de admirável sensibilidade, talento e indícios de suas experimentações que permeiam vários discos ao longo de sua carreira. Faixas como "Negro é lindo", fazem você suspirar encanto, "Cassius Marcello Clay" uma aula, "Que maravilha" que recebeu várias versões posteriormente aqui tem sua cadência e suavidade original e "Porque é proibido pisar na grama", a faixa do disco que mais gosto, Jorge como um cronista dos tempos, exala um perfume de sutileza apaixonada e com muita inspiração emociona e fascina nossos dias. A música de Jorge tem amor, a música de Jorge é poderosa, Salve Jorge, posto aqui embaixo a letra de "Porque é proibido pisar na grama" e o disco "Negro é Lindo". Bom proveito

Porque é proibido pisar na grama

Acordei com uma vontade de saber como eu ia

E como ia meu mundo

Descobri que além de ser um anjo eu tenho cinco inimigos

Preciso de uma casa para minha velhice

Porém preciso de dinheiro pra fazer investimentos

Preciso às vezes ser durão, pois eu sou muito sentimental meu amor

Preciso falar com alguém que precise de alguém, pra falar também

Preciso mandar um cartão postal para o exterior, pra meu amigo Big Joney

Preciso falar com aquela menina de rosa, pois preciso de inspiração

Preciso ver uma vitória do meu time, se for possível vê-lo campeão

Preciso ter fé em Deus e me cuidar e olhar minha família

Preciso de carinho, pois eu quero ser compreendido

Preciso saber que dia e hora ela passa por aqui e se ela ainda gosta de mim

Preciso saber urgentemente. Porque é proibido pisar na grama


Link do disco "Negro é lindo": http://lix.in/f93f3c29


Ouvindo: Jorge Ben - Porque é proibido pisar na grama